terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Poéticurtas – Surdas!


A inconstância da beleza está no passar dos anos... Diferentemente da Inteligência, que tem no tempo, o seu amadurecimento magnânimo.
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O tom de voz elevado de algumas pessoas exprimindo suas opiniões em lugares públicos sugere duas reflexões quanto a elas: soberba e insegurança.
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Algo se perdeu... As pessoas não sabem calar a boca dentro dos cinemas.
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Algumas mulheres pensam que quanto mais mostrarem, mais olhares vão atrair... Perfeitamente! Agora, qual é a graça do presente já desembrulhado?
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Aprendi que os segundos são o melhor tempo para se pensar...
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As lojas de departamentos acabaram com a individualidade das pessoas. Tenho um chapéu que se tornou banal no topo das cabeças!
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Atualizando Sartre:
Esqueçam as grelhas, o inferno são os filhos dos outros.
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Os surfistas são um peixe fora d’água... em todos os sentidos!
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Esperar alguém, mesmo sabendo que ela vai se atrasar é um ato de tortura medieval.
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Sobre namorados:
Quanto mais grudados, mais chatos!
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A felicidade é um ato impensado. Pessoas felizes não pensam, flutuam em imensas nuvens cor-de-rosa. Só os infelizes são racionais.
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O que fazer quando o relógio teima em me dizer as horas?
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sufferre

de repente,
tudo cinza
obscuro e obsoleto:
o ponteiro do relógio não anda mais.
o tempo para,
e não só para como também retrocede.
uma aranha tece cautelosa sua armadilha mortal
pouco a pouco me vejo caindo na teia invisível de meus pensamentos
não demora muito
caio...
vem a tona um desbunde de sensações estúpidas
fúteis pensamentos de alguém cansado de sofrer
mas não é essa a causa e somente essa a causa de estarmos vivos?
dirá não aquele que nunca sentiu o peso do mundo em seus ombros
a indefinível pressão que comprime ossos, carne e mente
SOFRER, do latim, sufferre
significa, por incrível que pareça, exatamente o mesmo que por baixo, que carregar.
viver a vida sofrível, carregar o próprio mundo nas costas... sufferre!
só isso justifica a nossa pérfida existência .
experiência muitas vezes cruel, que preza por nos levar a caminhos tortuosos, insanos, insalubres e caóticos...
minha própria casa por vezes foi/é um lugar desprezível e sujo, onde viviam/vivem mentes vãs e estúpidas, carentes de um naco de luz.
Sufferre!
‘as luzes’... digo, o conhecimento, por muitas vezes ajudou a suportar a carregar o fardo, mas, hoje, já não basta mais!
tenho ganas de me jogar contra a correnteza turbulenta, dar braçadas ao léu, mas como?
há um mundaréu de pessoas apoiada em meus ombros.
expectativas, esperança, desilusões... não minhas! Suporto firmemente os desagravos a mim incumbidos, mas, e quanto aos outros?
agüentar o peso duplo, triplo é pedir demais as minhas pobres pernas. Estou cansado...
o mundo me dá engulhos nas tripas e só.
preso nessa teia, me sinto a presa fácil e estúpida que não pode fazer mais do que sofrer pelo por vir.
através de breves pensamentos, exemplifico a bestial existência... mas isso não muda nada.
que a aranha esteja faminta e o que o fim seja rápido e indolor.


domingo, 13 de novembro de 2011

L.L

Porque quando o coração aperta
nada mais presta
e tudo perde o sentido para mim?
Porque essa necessidade doida
de amar algo desconhecido
que não posso ou não devo alcançar?
Desconheço-me ou me conheço muito bem,
porque estas são perguntas retóricas.
De fato,
tudo começa no olhar
e termina num lânguido beijo.
Ato, infelizmente visível,
somente em minha nobre mente delinqüente...
Porque este pescoço tão alvo, esguio e convidativo?
Porque esse cabelo esvoaçante, desarrumado/arrumado,
jogado,
de lá para cá?
Sofro...
Bela, como sofro...
Não tens idéia de como me assola
quando teus negros olhos me devoram
e tornam-se um enigma sombrio para mim.
Bela, como sofro...
Pois, sem saber,
tens no olhar e no sorriso malicioso
o antídoto para o turbilhão de sentimentos desenfreados,
loucos desatinos, que arrebentam meu peito
como a ressaca revoltosa batendo loucamente em um rochedo.
Quem me dera poder bebê-lo avidamente...
Deliciar-me com teu gosto excêntrico, novo e intrigante...
E porque não agora?
Por quê? O que me impede?
O moralismo, a ética ou o medo?
O coração salta-me ao peito, redomão!
Já não sei mais o que sou ou quem sou
Nobre, plebeu ou ladrão?
Esquece!
Só quero a tua unhada fresca marcada em meu peito,
tua boca que treme
teu corpo que gira
Eh, eh, dança!
Navalha na carne,
ver e não tocar.
E o que faço?
Meto-me na cama contigo,
para sentir a alma mais leve...
Mas a consciência pesa mais que chumbo.
Preciso repensar, sentir, amargar
preciso esquecer e não crer em preceitos idiotas
preciso ser outro mas continuar sendo eu mesmo.
Complexo.
Irritante.
Louco.
Conflitante.
Mas, como ainda não posso ser este sedutor amante,
que outrora fui, em passado longínquo e reconfortante;
um ser que avançaria atordoado e delicado pelo seu jovem corpo,
me proponho, se quiser,
ser esse pedaço de carne louca,
te amando,
somente nas entrelinhas do papel.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Rabugice

A incerteza do nada se revela um verdugo feroz
Sobre meu dorso uma célere ampulheta
Famigerada meretriz do tempo
Dilacera minha carne pouco a pouco
Meus cabelos branqueiam
Meus músculos murcham
Meus ossos esfarelam
O que fazer?
Buscar nos sonhos o combustível para uma vida plena?
Sonhos... escassos e tão distantes.
Contudo, tenho como amante
uma escrita torpe e censurável
admirável? Somente do ponto de vista de poucos.
Assim,vejo a vida passar contemplando jovens mentes que,
ao meu ver, são banais e insolentes.
Destinos que se perdem na roda paradisíaca e fugaz de besteiróis mundanos,
bebendo frascos de estupidez com garrafas de alienação.
Sim, sou um velho rabugento,
passante incansável de alamedas floridas de existências e existências ancestrais
meus pais
a indignação e a infâmia
mimaram meus pensamentos com todos os sortilégios que somente a língua
aguda e bifurcada
pode declamar sem dor nem piedade.
Sou vil,
moro em um covil recheado de lobos ferozes e bestiais
ouço, enxergo, penso
por isso vivo tenso
a proferir injúrias contra tudo e contra todos.
Vivendo o hoje imperfeito e louco,
com semblante carregado e sulcos profundos riscados em meu rosto
vivo a maldizer a vida.
E por quê?
Porque a ampulheta do tempo não me deixa esquecer
que ela é veloz e carnívora
e que a cada dia meus sonhos definham mais
tornando-se raríssimos e menos nítidos.
Nesses momentos do avistamento do nada
quando me encontro cansado e bronco
é que me perco nas águas turbulentas e incertas
da minha existência.
Mas o que fazer? Sou somente um passante que pensa demais...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Doce Pathos

Uma doença excêntrica
Desacreditada
Uma solução não convencional
Para fugir
Escapulir
do real.

Uma via segura para encontrar-se com quimeras
Doces ilusões de uma vida que não é
Ou que poderia ser.

Uma patologia estranha
Entranhada, entrelaçada
de formas, cores e dramas
realisticamente ficcional.

O caminho para o bem e o mal,
Ungido por gotas de sangue e lágrimas de glória
Um pathos diabólico
Que faz o cérebro ferver
Mãos correr
Por entre teclas e mais teclas
Folhas de papel

Doce veneno literário
Na carne e na mente encontra seu repouso
No escritor
Que vive do louvor da escrita
Encontra o hospedeiro magnânimo
Ser, que até mesmo em eterno desânimo
Postula letras de prazer

Pathos diabólico!
Que os seus sintomas nunca se eliminem
Que a ciência nunca ache o remédio certeiro
Para conter o teu furor
Ou para descobrir os segredos do teu labor

Que viva eternamente
No seu ledo mistério
Contaminando corpos e cérebros
Narcotizando o mundo
Com seu doce métier.

sábado, 17 de setembro de 2011

SemRimas

Volto então,
da minha busca pelo indizível
só para dizer
que não faço parte
do clã da escrita esnobe
que se esconde
na teoria métrica

caminho por alamedas opostas

assobio rebeldia
e conduzo aventuras
meu apelido?
P I C A R D I A

movo folhas
embalo sonhos
beijo flores
faço planar condores
sou inimitável
único e imperfeito

feito
de carne, ossos
e sentimentos

tenho cores diferentes
sou azul
verde
amarelo
ou rubro

sou poeta multicolorido
que sopra rimas falsas
sou desleixado e excêntrico
cético!
talvez...
mas não por não possuir
as rígidas e tão sonhadas
rimas exatas

sábado, 10 de setembro de 2011

Saudade

Saudade dos tijolos vermelhos
Das paredes puídas
Daquele velho bar

Saudade do flerte ronronando em meus ouvidos
Chamando-me para mais uma noite maluca
Entre vielas sujas e lençóis desconhecidos

Saudade da música que brota de janelas cerradas
Gemidos sem sentidos
Delírios de prazer

Saudade da carne quente
Do copo que esvazia
Do olho que corre e repousa sempre em outro olhar

Saudade do poema que brota de um simples caminhar
De um cabelo esvoaçante
De uma garçonete de bar

Saudade dos amigos desconhecidos
Conhecidos entre copos e mais copos
E que nunca mais vou encontrar

Saudade do devir que é vagabundear
Passar por ruas e ruas
Por bancos e bancos
Sem se preocupar

Saudade do tropeço bêbado
Do hálito com cheiro de álcool
Do beijo bobo

Saudade
Navalha na carne
Sorriso a me enxovalhar

Saudade
Vá embora
Ou me deixe voltar.